Doc-LEK é um núcleo cultural do:

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sábado, 6 de dezembro de 2014

Antônio Rodrigues Miranda

Hoje, relendo folhas esquecidas em uma velha pasta, abençoo a hora em que conheci o mais generoso português que o Brasil abrigou em seu seio. Chama-se Antônio Rodrigues Miranda, casado com dona Maria Gabriela Rodovalho, filha do Vale do Paraíba, descendente da ilustre família do Barão da Pedra Negra, de Taubaté.
Se me fosse dado adivinhar naquele momento o papel que estava destinado aos meus amigos ao longo da minha vida, eu teria escrito não à tinta, mas a ouro, os seus nomes no registro do hotel. Deus, em sua misericórdia, nos envia seus guias bem disfarçados ao nosso encontro, para nos ajudarem. Bendita a hora em que o saudoso industrial Felix Guisard mandou-os à minha casa. 
Não falo só para mim e Albino, tão ajudados por ele, mas, sim por toda a população de Ubatuba, que Miranda tanto auxiliou. 
Se temos energia elétrica em Iperoig, devemos ao nobre Miranda, pois foi ele que conseguiu isso com a família Guisard, depois de fechar sozinho o negócio da compra da antiga companhia, que, em lugar de iluminar, escurecia Ubatuba. 
Mais tarde surgiu o problema da água e, no meu modesto hotel, assisti à luta titânica do Miranda junto aos poderes públicos, tratando pessoalmente do caso com o Dr. Gavião Monteiro, representante do governo do Estado em Ubatuba e também meu hóspede àquela época. E ainda seria uma ingrata se esquecesse os inúmeros e continuados benefícios desse casal, cuja casa hospitaleira em Taubaté está, como sempre esteve, aberta para os ubatubenses pobres e necessitados. 
Até hoje ele trabalha pelo bem de Ubatuba no anonimato, para não ferir melindres alheios. Lutou para termos o Ginásio, tornando realidade o sonho da mocidade estudiosa desta cidade, que espera agora a construção do prédio, anunciada para breve. 
Sei perfeitamente que o Sr. Miranda, ao ler estas verdades escritas por mão amiga, talvez não me perdoe ter ferido a sua modéstia. Pois bem, aceito o risco dessa zanga e espero em Deus que ele compreenda porque revelei os seus feitos. Meu único intuito é deixar clara a evidência dos fatos, tendo a felicidade da dádiva de Jesus, que me concedeu o poder de poder exprimir minha gratidão E, penando nesse amigo, mergulhar no longínquo passado de Iperoig e encontrar o elemento necessário para esta crônica, dedicada a Antônio Miranda, na qual quero agradecer por tudo que fez pela nossa terra e pela nossa gente. 

TERRA TAMOIA
Idalina Graça
Livraria Martins Editora, 1967
páginas 53/54

IDALINA GRAÇA

IDALINA VENDO E RECEBENDO OS VISITANTES ILUSTRES EM UBATUBA 

Texto: Arnaldo Chieus

À época da abordagem do europeu, os moradores de Ubatuba formavam uma pequena aldeia de sete choças no local aproximado do atual centro de Ubatuba. Pelas descrições de Hans Staden, as choças mediam aproximadamente quatorze pés de largura e até cento e cinqüenta de comprimento, por duas braças de alto, tudo formando uma área de 195 metros quadrados. 
Como sugere Ophélia Figueira de Camargo, “A história oficial de Ubatuba começa no século XVI, mais precisamente no ano de 1563, mas muito antes, aqui ocorreram fatos históricos que na verdade não mereceu a devida consideração por parte dos historiadores. Não foram os portugueses os primeiros brancos a entrar em contato com os silvícolas. Os fatos narrados por Hans Staden nos falam de que ele mesmo, viajante alemão, teria sido aprisionado e trazido para as terras de Iperoig para ser sacrificado aos deuses como inimigo português que os índios pensavam ser. E qual o porquê dessa inimizade aos portugueses e não aos franceses e até mesmo aos alemães, quando Staden afirmou não ser português?” (Ubatuba ou Ubachuva uma questão de geografia). 
É que desde as primeiras décadas do século 16, todo o território “descoberto” pelos portugueses foi progressivamente integrado à economia européia. Com o início do processo de colonização, teve início o processo de desmantelamento das culturas indígenas. 
Ubatuba nos séculos 18 e 19, só para se ter uma ideia, foi considerada uma cidade bastante próspera, econômica e socialmente falando. A esse respeito cumpre mencionar que os europeus não lusitanos que vão chegando à vila, a fim de plantar cana e café, trazem consigo, além de uma mentalidade mais empresarial e capitalista, o próprio capital inicial necessário para sua instalação e organização inicial das lavouras comerciais. Ao lado da Igreja, grande senhora de terras na localidade, estavam os grandes proprietários com terras obtidas por variados processos e formas de apropriação do solo, a saber: heranças, escrituras de compra, doações, aquisição, transferência ou expropriação de sesmarias, arrematação pública, legados e posses novas. 
O que se pode afirmar é que todas essas formas de apropriação de terras foram arregimentando cada vez mais a vinda de novos investidores em razão da riqueza que à época passava pelo local. 
Tudo o que sobe tende a cair. No passado tivemos a ascensão e a queda do império romano e de muitas outras formas de governo. 
Com Ubatuba não foi diferente. 
A partir de 1850 a cultura cafeeira passou a estender seus domínios pelo interior do estado, chegando a Campinas, Rio Claro e São Carlos dando início à mentalidade ferroviária quando atingiu a zona bragantina e mogiana. Os lombos dos burricos foram aos poucos sendo substituídos pelos trilhos do progresso e o antigo e fogoso porto de Ubatuba foi decaindo no esquecimento e, com ele, toda a cidade.
Todo o progresso até então adquirido ás custas do entreposto de comércio com o Vale do Paraíba deixou de existir, transferindo-se para um porto de Santos, mais moderno, centralizado e com melhor infra-estrutura. 
Ouve ainda uma última tentativa para salvar a região com a construção de uma estrada de ferro que ligasse Taubaté a Ubatuba que teve a sua construção iniciada, mas que foi boicotada pelo governo federal que desviou a verba para outros fins, levando fazendeiros e comerciantes de Ubatuba a falência. 
Ubatuba esquecida. 
Ubatuba abandonada. 
Todavia, nem tudo se perdeu. O antigo leito, atravessando a Serra do Mar foi parcialmente aproveitado pela estrada de rodagem, que atualmente é a Rodovia Oswaldo Cruz, SP-55. Com a abertura desta estrada teria início um novo ciclo de progresso para a cidade. 
Progresso este bastante lento é bom que se diga. 
Porém, trouxe para Ubatuba novos visitantes, principalmente de Taubaté, a progressista cidade do Vale do Paraíba, berço da industrialização através da C.T.I. de Felix Guizard, cujos veios tentáculos chegaram até Ubatuba, nos idos dos anos 20 do século passado. 
E Idalina Graça foi uma dessas pessoas; não oriunda de serra acima, pois era caiçara de Ilhabela. Aportou em Ubatuba.
Extraordinária criatura, assim Paulo Florençano se referiu a Idalina Graça ao prefaciar seu livro (livro de Idalina), BOM DIA UBATUBA
E explica: 
“Ela, por causas que o misterioso, talvez astral traçado dos destinos não explica, mal pode cursar os primeiros anos da escola primária; e, na fase da vida em que outras crianças se divertiam em alegres folguedos, ela teve que trabalhar arduamente, ajudando os seus. Menina diferente que era, aproveitava as parcas horas de descanso, quando as havia e, aí, nem a grande fadiga e nem a incompreensão dos adultos a impediam de, embevecida, olhar as belezas do mar-oceano; a mulher colorida das vagas em seu constante vai-e-vem; o mistério profundo das matas revestindo a morraria; ... 
Mais tarde, casou-se e, indo viver na atual Ilha Anchieta; depois foi morar em Ubatuba, onde, com o seu marido, num rasgo se audácia, alugou antigo sobrado, ficando com ele à testa do Hotel Ubatuba, juntamente por ocasião do ressurgir da cidade. 
Nesse árduo e incessante mister de hoteleira, arrumadeira, cozinheira, lavadeira, copeira, Idalina Graça, como bem disse um seu cronista, ainda arrumava tempo para receber visitantes ilustres da cidade que se hospedavam em seu hotel. 

LOBATO E SUA ANFITRIÃ CAIÇARA 
LOBATO E IDALINA: DE COZINHEIRA A VIAJANTE SIDERAL 
Não sabemos ao certo o número de visitas que Monteiro Lobato fez a Ubatuba, porém é certo que a primeira que fez a Idalina Graça foi devidamente registrada pela anfitriã caiçara no livro “Terra Tamoia”. 
Neste livro há um trecho que corre assim: 
“Albino me esperava impaciente nessa tarde que, para mim, deslizara suave e bela, como belas e suaves são todas as tardes de Iperoig. Havia chegado, de Caraguatatuba, u,a casal em lua-de-mel, e ele não sabia como acomodá-lo. Imediatamente, providenciei tudo para que os hóspedes se sentissem à vontade. 
No dia seguinte, amanheceu chovendo, e, como não era possível ir à praia em busca do pescado fresco, fui ao frigorífico, nesse tempo funcionando onde atualmente está o DER. Da ponte avistei o Dr. Felix Guizard, proprietário do sobraão de Baltazar Fortes, para à porta principal e em animada palestra com um senhor decentemente trajado, que olhava com viva curiosidade todos os que dali se aproximavam. Acostumada a ver poucos turistas na cidade, fiz um demorado exame do forasteiro. Achei-o bem simpático. Comprei o pescado e, ao sair, notei que ele me acompanhava com o olhar. – Deve ser por causa das vestes masculinas que uso, pensei, para logo depois, absorvida pelo trabalho, esquecê-lo completamente. 
Por este tempo estavam construindo a ponte principal que liga a cidade à praia do Perequê-Açú. 
– “Com certeza é um dos engenheiros” – pensei. À tarde refugiei-me no quintal para escrever algumas das impressões do dia anterior, quando de minha excursão ao Tenório. Ali foi encontrar-me Albino, que viera do correio com a correspondência, perguntando-me surpreso: 
- Idalina! Quem é aquela senhora que está sentada na sala? 
- Não sei! Tia Rita não disse nada! 
- A velha não está aí. Foi à venda. Vamos ver querida? 
- Vamos. 
Simpática e elegantemente trajada, a senhora ergueu-se sorrindo ao avistar-nos: 
- Bati palmas, ninguém atendeu; fiquei, então, absorvida neste álbum de visitas de Ubatuba, esquecendo de perguntar ao senhor, quando entrou se era dono do Hotel. 
- Eu bem vi que estava distraída e fui perguntar a minha mulher que a senhora era. Ela. Porém, ignorava sua presença aqui. Quero pedir-lhe desculpas. Estamos prontos para servi-la no que estiver ao nosso alcance. 
Voltando o luminoso olhar para mim, a visitante explicou: 
- É simples: caso não seja impertinência minha, gostaria de saber se a senhora poderá conceder hoje à noite, alguns minutos ao meu marido. Ele veio a Ubatuba conhecer a cidade e a “Solitária de Iperoig”. Se não me engano, estou em sua presença, não é verdade? 
A um gesto meu afirmativo, ela continuou: 
- O principal motivo de minha visita é dizer que o meu marido se chama José Bento Monteiro Lobato; é escritor e tem interesse em conhecê-la pessoalmente. 
Foi assim que fiquei conhecendo a esposa daquele que, desse dia em diante, seria um dos meus maiores amigos. Ele, o grande escritor, estava a minha procura. Hospedado no Hotel Felipe, nosso único e competente rival no ramo de hotelaria na época, queria visitar-me e conhecer-me. 
E foi nessa noite chuvosa, precisamente quando o relógio da Matriz batia oito horas da noite, que o velho salão do Ubatuba Hotel teve a honra de receber o insigne escritor. Com alegria, ele conduziu a conversa habilmente para o terreno que me interessava, e contou-me porque viera a Ubatuba. Disse-me ter lido na Folha da Manhã uma crônica de Willy Aurely, na qual me apresentava ao público como escritora, revelando ainda a minha humilde, mas honrosa, profissão. Willy contara ter eu apenas o primeiro ano do curso primário, caracterizando-me como escritora iletrada; chamara-me a “Solitária de Iperoig”. Lobato, curioso, viera conhecer Ubatuba e a amiga de Willy Aurely. 
Ao terminar a explicação sobre sua presença em nossa cidade, perguntou, entre sério e divertido: 
- Você não quer me dizer, Idalina, com que temo e onde você vai buscar o material necessário a seu escritos? 
_ Bem. Eu tenho meus dias de folga, e o restante encontro-o na fantasia dos meus sonhos de verdade. _ Ou de mentira... agregou. 
_ De ambos. Mas, para ser franca, Dr. Lobato, eu escrevo mais sobre os sonhos que tenho enquanto durmo, do que a respeito daqueles que tenho quando estou acordada. 
Soltou uma gostosa gargalhada. 
_ Eu sentia que você era assim! Não me quer contar um de seus sonhos? 
Não há um capítulo específico a respeito do assunto. 
 Idalina discorre a respeito da visita Lobato com esmero de detalhes, numa prosa absolutamente clara como era a sua fala pessoal e o seu olhar alegre e penetrante no trato com as pessoas. Porém, como o livro é uma espécie de viagem sideral pelo seu mundo pessoal, mundo em verdadeira ebulição, Lobato, como tantos outros personagens vivos de carne e osso, percorrem as páginas em verdadeiro furacão de recordações desta caiçara agitada, alegre e audaz, sempre correndo, sempre trabalhando, sempre cozinhando. 
A amizade com Lobato foi talvez a mais feliz das recordações de Idalina. 
A despedida vale a pena ser recordada: 
“No dia seguinte, o Dr. Lobato veio despedir-se. Trazia na mão um dos seus livros: Contos Leves. Antes de oferecê-lo, disse:
_ Você me contou a história do sonho, e eu vou contar porque trouxe este livro. Ao fazer a mala, mexi em minhas coisas, e Purezinha, curiosa como toda a mulher, perguntou: Para que vi levar esse livro? 
_E qual foi a resposta, dona Purezinha? Perguntei eu voltando a cabeça para a esposa do grande escritor. 
Ela sorriu. _ A resposta foi que ele ia trazê-lo para ver se a escritora iletrada de Willy Aureli merecia o presente. 
Timidamente, perguntei: - E o senhor acha que eu o mereço? 
_ Ora! Que pergunta, Idalina! Se achasse que não merecia, eu não lhe oferecia. Mas, leia a dedicatória. Eu li então: 
“Dona Idalina já subiu a escada sem degraus; já está avistando o campo de rosas. Breve será eleita pelos deuses para compor a obra que lhe vai imortalizar o nome. É com maior entusiasmo que Monteiro Lobato presta a sua homenagem a “Solitária de Iperoig”, uma das mais belas personagens que ainda encontrou na vida.” Ubatuba, 17-8-1941. 
 Essa manhã chuvosa em Ubatuba, no dia 18 de agosto de 1941, ficou para sempre gravada o meu coração agradecido ao homem bom que me estendeu a mão, oferecendo-me amizade através dos anos que ainda viveu. 

IDALINA RECEBE OUTRO VISITANTE ILUSTRE 
Numa certa ocasião, logo no início do funcionamento do novo prédio do fórum de Ubatuba, tive a oportunidade de ali realizar o primeiro júri na inauguração do plenário. Até então, o fórum antigo, de proporções muito acanhadas para o acumulo de trabalho forense, não dispunha de espaço e sequer sala para a realização dos plenários, sendo para tanto usada a sala de seções da Câmara Municipal, um prédio antigo, um dos três últimos remanescentes da opulência de Ubatuba na áurea época da efervescência do café no Vale do Paraíba, onde seu porto era um dos mais importantes do Brasil. Naquela oportunidade, ao fazer a saudação como é de praxe nas comarcas onde atuo, iniciei por uma história que achei oportuna por tratar-se do primeiro júri a ser presidido pela juíza que iniciava sua jornada como titular em nossa comarca. Dias antes, na ânsia de encontrar elementos balizadores para sustentar minha tese defensiva, vi-me então abrindo livros e divagando pelas mais variadas idéias de autores jurídicos consagrados e, também, por obras de psicologia, sociologia, autores de ficção, romances, crônicas, jornais e tudo o mais que me passava impresso pelas mãos. No entanto, a certa altura me deparei folheando o livro “Bom dia, Ubatuba”, de Idalina Graça. 
Em especial, um trecho me pareceu especialmente próprio para o ato e poderia ser lido integralmente como crônica sem que me fugisse ao tema principal, que iria ser introduzido logo em seguida. Tratava-se de uma especial recordação que Idalina Graça fizera, com muita propriedade, a respeito da passagem por Ubatuba do juiz de direito Joaquim de Sylos Cintra, que posteriormente teve brilhante carreira chegando a presidir o Tribunal de Justiça. E o trecho escolhido corre assim: 
 “Quando Luiz Ernesto partiu, veio-me uma profunda saudade do insigne Dr. Joaquim de Sylos Cintra, que exerceu o cargo de Juiz de Direito em nossa Iperoig e conquistou a simpatia local. Em 1936 ou 1937, tivemos a felicidade de tê-lo entre nós 2 ou 3 anos, demonstrando em nossa cidade excelsa justiça em suas contínuas ações. Sempre acompanhado da família em seus diários passeios pelas nossas praias, era amado e respeitado pelos caiçaras, transbordante de calor humano para todo cidadão que vinha aqui residir, a que o Dr. Joaquim retribuía com extrema delicadeza. 
Era hospede e amigo no Ubatuba - Hotel, propriedade de Albino Graça, meu marido. Assim, tive a honra e prazer de servir ao doutor e sua família o melhor que pude e o que estava ao meu alcance. Com o passar dos dias vim, a saber, em amena palestra, ter ele já exercido seu cargo em diversas cidades do interior, como São Manuel, Monte Aprazível, Presidente Prudente e outras cidades do nosso grande e majestoso São Paulo.
Finalmente ei-lo nomeado desembargador e, com o passar dos anos, guindado a outros cargos importantes, vindo finalmente no ano de 1962 a governar, por 58 dias, São Paulo. Essa vida admirável de homem público passou por Ubatuba deixando e levando saudades. Hoje, ao escrever tão pouco para uma nobre existência a serviço da pátria, de São Paulo e da família, sinto-me feliz ao sabê-lo aposentado, mas em plena forma física e intelectual, trabalhando pela humanidade em marcha. A ele, Dr. Joaquim de Sylos Cintra, a homenagem de Ubatuba nas páginas de BOM DIA UBATUBA.


E como bem afirmou o jornalista Luiz Ernesto Kawall: 
“Idalina era pequena por fora, mas, forte por dentro."
Foi seguidamente dona de casa, comerciante, hoteleira, radialista, defensora dos pobres e espiritualista iluminada, capaz de transmitir mensagens e dar bênçãos aos mais aflitos.
De “Ciccillo” Matarazzo a Washington de Oliveira, de Flavio Girão Carvalho ao Da Motta e à Isabel, de Felix J. Francisco a Wladimir de Toledo Piza, de Paulo Florençano ao autor destas linhas, a tantos e tantas gentes, a Velha Sábia, de que falava Jung, iluminou com a sua graça e a sua sabedoria. 
Com o exemplo de sua vida simples – a dar tudo, mas tudo mesmo, do que tinha ou ganhava – ela só vivia com a roupa do corpo – aos mais necessitados, e com a iluminura radiosa de seu jeito de caiçara autêntica, com suas gargalhadas e contando estórias do mais humano sabor.” 
Esse tempo lírico e bom, onde as pessoas se cumprimentavam nas ruas e onde o comerciante/jornaleiro Felix José Francisco e a hospitaleira Idalina Graça recebiam o turista com sua conversa alegre e amiga está presente não somente na obra da nossa Solitária de Iperoig, mas, principalmente, vemos transparecer em todos aqueles que com ela conviveram.
Foi assim com Luiz Ernesto Kawall e Paulo Florençano, Pizza e Chiaffarelli, Flavio Girão e Ciccillo Matarazzo, todos seus grandes e queridos amigos. 
Assim também foi com o artista-entalhador Da Motta, a quem encontro todos os sábados na feira. Da Motta foi um dos grandes amigos de Idalina Graça. Já no final da vida foi Da Motta e sua família quem mais amparou nossa elegante “solitária”. Hoje, encontrar Da Motta é uma alegria que se renova toda a semana. E ele me cumprimenta (como cumprimenta a todos, é claro), com entusiasmo e alegria verdadeiros, erguendo os braços e dizendo com alegria transbordante nos olhos: Viva! Que bom te ver! Viva! Saúde e muita saúde para você, meu querido Chieus e à sua família! 
Só isso já nos vale ter ido à feira naquele sábado. Essa saudação de Da Motta me sua como um ato ressurreto de Idalina Graça. Isso é Idalina Graça! Pois é Idalina quem ressurge a cada cumprimento de Da Motta, a cada reencontro com Luiz Ernesto...
Tudo isso faz Idalina continuar seu caminho entre nós. 
E Viva!
Viva IDALINA GRAÇA!
Amém!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

VIAGEM


Baile de Carnaval no Itaguá Praia Club (Atual Tom Bar).
Maestro Herculano comanda a banda com Luiz e Eni ao microfone.
Maneco, Quinzinho e Luiz Oliveira no instrumental.

Foto: Kikuti
Fonte: Celso Teixeira Leite

VIAGEM


Luta pela construção do prédio próprio para o Ginásio de Ubatuba.
Nascia, assim, o Ginásio Estadual Capitão Deolindo de Oliveira Santos.

Foto: Kikuti
Fonte: Celso Teixeira Leite